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Sinais de Perigo no Casamento O que fazer quando bate a rotina conjugal?

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De repente o jantar a dois parece menos prazeroso do que cada um com seu prato na mão na frente da TV; a tão aguardada hora de irem juntos para a cama torna-se desinteressante; o final de semana, outrora tão esperado, fica um tédio só; o computador parece um amante que rouba o cônjuge... onde foi parar o prazer do casamento? Será que tudo era uma fantasia e a “carruagem virou abóbora?” Não, pode ser a devastadora rotina que bateu à porta do casal. E agora? O que fazer?
A rotina é uma realidade que, mais cedo ou mais tarde, atinge todos os casamentos. Com o passar do tempo, as novidades não causam mais emoções (pois deixam de ser novidades), o planejamento a dois começa a padecer de decisões solitárias e isoladas, os passeios de final de semana só têm graça se os amigos forem juntos para divertir, qualquer conversa a dois gira em torno dos filhos ou outros problemas, nunca para falar do casal, até a relação sexual deixa de provocar a ansiedade das almas e dos corpos como que tirando totalmente o tempero do prato principal de um jantar.
O combustível que sustenta a alegria e aumenta o prazer de uma vida a dois é a motivação, e a rotina desmotiva, pois tira a emoção do relacionamento.  
Ao se depararem com a rotina no casamento, alguns casais, intuitivamente, ou de forma pensada, combatem-na com novos planos para o relacionamento. São casais que percebem a necessidade de mudanças, normalmente são casais que têm bom diálogo, e então conseguem driblar a rotina com criatividade.
Porém, a maioria dos casais não sabe o que fazer quando se deparam com a mortífera rotina que torna o relacionamento apático e desinteressante.
Ouvimos alguns diagnósticos em forma de lamentação, e muitas vezes desesperados, que são apresentados por cônjuges que experimentam a rotina no casamento. São avaliações erradas que, ignorando a realidade da rotina, tentam justificar o desprazer conjugal de alguma maneira. Vamos analisá-los e dar algumas dicas importantes diante dos mesmos a fim de evitar o encaminhamento errado do casamento que enfrenta o problema da rotina conjugal:
O amor acabou. Este é um dos principais diagnósticos apresentados por casais que se separam, ou pensam em se separar. Se o amor é a razão de se casarem, dizem eles, na ausência do amor o melhor é não insistir com a relação. Isto é um grande perigo, um casamento que pode dar certo termina em divórcio pela falta de esclarecimento do casal. Ora, o amor não acaba, ele pode esfriar, mas não acabar. Amar não é sentir atração pelo outro, mas decisão em lhe fazer feliz. A atração pelo cônjuge, assim como a paixão, são sentimentos involuntários que ao se depararem com a rotina, podem acabar, mas o amor não é involuntário. Escolhemos a quem vamos amar, então, dizer que o amor acabou no casamento é um diagnóstico errado. Quando o amor esfria, a relação realmente perde a graça, mas uma vez tratado (e graças a Deus é tratável), o casamento volta a ser prazeroso. O que pode acabar é a paixão ou atração sexual e isto muitas vezes acontece por causa da rotina. Neste caso, a rotina é que é identificada como falta de amor.
Dica: O amor é forte, mas ao mesmo tempo muito sensível. Ele precisa ser alimentado diariamente para se manter fortalecido e ativo. Então a dica é a prática de gestos de amor. Muitas pessoas fazem declarações de amor verbalmente, mas não dão,  no dia a dia do casal, nenhuma demonstração de amor. Amor não é palavra, mas comportamento. Um amor alimentado com gestos de carinho, respeito, atenção e exclusividade (amor conjugal deve ser exclusivo e fiel), pode renascer das cinzas e surpreender com nova força. Um amor se acende com gestos de amor. É a prática do amor que o faz ressurgir fortalecido.

Casei-me com a pessoa errada. Outra justificativa é a seguinte: “Casei-me com a pessoa errada, pois somos incompatíveis”. Algumas pessoas acreditam que erraram no parceiro com quem deveriam se casar por causa da incompatibilidade. Isto também é um engano, pois a incompatibilidade é uma realidade em todos os casais, ninguém é compatível. Todos se casam com pessoas diferentes, logo, incompatíveis. Quando um casal troca as alianças (faz aliança), eles estão prometendo que, embora sejam diferentes, irão se esforçar para promoverem o bem um do outro. Isto é aliança, dois incompatíveis se esforçando para tornar a relação agradável para ambos. Porém, a rotina tem esta força, a de cansar os cônjuges levando-os a acharem que se casaram com a pessoa errada.
Dica: Conquistar de novo. Quando namoram as pessoas já são diferentes, mas elas se esforçam para conquistar cada vez mais seu pretendente; depois que se casam, ao invés de se esforçarem para continuar conquistando, a pessoa passa a fazer exigências em relação ao comportamento do outro. Casais felizes são aqueles em que os cônjuges estão sempre se conquistando de novo.

Não estava preparado para casar. Ninguém está preparado para se casar. Pode até ser que esta avaliação se aplique às questões financeiras, mas no aspecto do relacionamento com alguém estranho com quem vai morar, nunca se está preparado o suficiente. Casamento é aprendizado, não é um produto pronto que compramos ou um serviço que contratamos, mas esforço mútuo para se fortalecer a cada dia. Quando a rotina chega, uma das coisas que ela provoca é a sensação de que o cônjuge não é o ideal, mas independente de quem seja o cônjuge, a rotina sempre vai exigir readaptação mútua.
Dica: Entender a necessidade de se buscar a cada dia o auto-desenvolvimento para que haja, consequentemente, o bom desenvolvimento do relacionamento conjugal. Nenhum casamento está garantido pelo tempo, os cônjuges precisam, independente do tempo de casados, investir no preparo próprio para que estejam prontos para os novos  desafios da vida conjugal. Não pode se acomodar. Casamento não é como uma prova de matemática que a pessoa estuda bastante antes, tira nota 10 e é aprovada. Casamento é uma busca de aprovação diária. Ninguém nunca está preparado totalmente para ele. Esta é a dinâmica excitante da vida conjugal, a de buscar todos os dias estar melhor preparado para o relacionamento.

Acabou o respeito. Outra reclamação recorrente entre os insatisfeitos com o casamento é a falta de respeito demonstrado pelo cônjuge. Tudo bem, isto é um fato, chega um momento em que as pessoas deixam de se respeitar no casamento, porém a falta de respeito não é uma causa, mas uma consequência. Quando a rotina se instala, ela frustra os cônjuges, e estes, sentindo-se decepcionados, muitas vezes sem saberem porque, encontram no cônjuge a materialização das razões de suas frustrações, e desta maneira, dirigem a eles a descarga de suas emoções negativas que não passam pelo filtro do bom senso. Assim, tais descargas vêem de forma desrespeitosa.
Dica: Ao receber um tratamento desrespeitoso a pessoa deve entendê-lo como uma denúncia de que o outro está frustrado com as próprias expectativas. As pessoas tendem a se casar com expectativas erradas, e ao perceberem que elas não se cumprem, descarregam suas frustrações no cônjuge, desrespeitando-o. Primeira coisa é lembrar que uma palavra dirigida sem respeito receberá como resposta outra palavra desrespeitosa, então a dica é dirigir-se ao cônjuge sempre de maneira educada, por mais difícil que seja a situação. Entender que a falta de respeito pode ser também reflexo de cansaço e frustração por tentar resolver as coisas sem no entanto alcançar êxito. De qualquer maneira, a falta de respeito pelo cônjuge não deve ser tolerada, mas tratada, caso contrário vai continuar gerando mágoas e até separação. Mais uma vez podemos afirmar que a rotina pode provocar este estado de frustração nos cônjuges.

Casamos fora da vontade de Deus. Esta é outra afirmação de quem não está bem no casamento e que, na época em que se casou, o fez com consciência de que estava fora dos planos de Deus. Tudo bem, é possível se casar fora da vontade de Deus, mas uma vez casado, deve-se buscar a direção Dele para o casamento, confessando os erros e pedindo sua compaixão. Deus não aprova um erro a fim de consertar outro. O casamento para Ele é insolúvel, então, divorciar-se pelo fato de ter-se casado fora da vontade de Deus é tão errado quanto ter-se casado.
Dica: Alguém que acredita que o problema de seu casamento está na desobediência a Deus, é uma pessoa de fé. Neste caso, deve usar sua fé para pedir a Deus a harmonia em seu lar. Ainda que tenha que passar por algum sacrifício para alcançá-la, no entanto, deve-se manter firme no propósito até alcançar a vitória final. No entanto, muito do que se diz ser fora da vontade de Deus, também é dito por causa do desgosto que a rotina causa. Uma vez resolvida a rotina, muitos destes casamentos voltam a viver uma harmonia prazerosa.

Estou apaixonado por outra pessoa. Esta também tem sido uma confissão muito presente e, reconheçamos, honesta e corajosa. É possível uma pessoa casada se apaixonar por outra. Levando em conta que a paixão é involuntária, apaixonar-se por outra pessoa não é um erro em si. Errado é atender a este desejo, pois a paixão é uma disfunção emocional, é efêmera e seu tempo médio de duração é de dois anos, depois disto, normalmente o objeto da paixão perde totalmente o significado para o apaixonado. Quando uma pessoa se separa para ficar com outra por quem se apaixona, experimenta um prazer intenso no início e uma decepção irreparável no final. Ao passo que, com o cônjuge, é sempre possível resgatar o prazer do casamento.
Dica: Quem estiver apaixonado deve fazer uma avaliação racional da situação. Tal avaliação deve ser feita diante de um profissional (terapeuta ou conselheiro), pois sendo a paixão  uma disfunção emocional a própria pessoa terá dificuldade de fazer uma avaliação segura de forma solitária. Deve-se ainda evitar tocar no assunto com o cônjuge, pois isto o machucará muito, além disso, deve-se evitar qualquer contato com a pessoa por quem estiver apaixonado. A paixão é característica de atração sexual, e isto pode estar acontecendo pela falta de satisfação na vida sexual com o cônjuge. Esta falta de satisfação, caso não haja uma justificativa clara, pode ser uma vida sexual marcada por uma rotina sem emoção.

Conclusão: Muitos casamentos estão se acabando ou se acomodando em um estado doloroso. A angústia aumenta quando os casais sofrem os sintomas, mas não conseguem entender o que está acontecendo com seus casamentos.
Existem muitas razões que levam um casamento a padecer sofrimentos, mas um deles é potencialmente mais perigoso, pois é sutil, embora devastador, que é a rotina.
A rotina é uma forma previsível de viver, onde todas as coisas acontecem exatamente da mesma maneira, automaticamente. Existem rotinas boas, mas a rotina no casamento não é boa. Todo casal precisa ser criativo e investir em novidades na relação, não precisa ser algo extravagante, mas coisas simples e novas, como por exemplo, um jantar fora de vez em quando, um passeio na praia, um jantar a luz de velas em casa, assistirem a um bom filme juntos, a compra de um presente fora de época, elogios sinceros, mudança no visual, etc. A mudança na rotina pode ser uma surpresa que um cônjuge faz ao outro ou algo combinado pelos dois. O importante é inovar, permitir que o casamento respire novos ares.
É importante lembrar que, por se tratar de um investimento no casamento, os filhos estão fora destes planos, ou seja, o casal deve encontrar uma maneira de se divertir juntos sem os filhos. Não há motivo para sentir culpa por causa deles, eles poderão até fazer chantagem tentando sensibilizar os pais, mas no futuro, irão agradecer pelo fato de vê-los envelhecerem juntos e felizes.